O torcedor do América de Natal, Al-Unser Ayslan Silva do Nascimento, que denunciou por meio do seu advogado Hugo Trauzola, ter sido torturado na Casa de Detenção (Cadeião), sofreu as lesões dentro do Sistema Prisional. A confirmação partiu do juiz da 16ª Vara Criminal, José Braga Neto, que declarou ainda ser inadmissível a atitude dos três agentes penitenciários envolvidos no episódio.
“Foi comprovado que ele [Al-Unser] entrou no sistema prisional sem lesões físicas aparentes, embora ele afirme também ter sofrido tortura na Delegacia de Homicídios para confessar um crime que, segundo ele, não cometeu. Se houve torturas na delegacia, não deixaram marcas aparentes”, explicou o magistrado.
Braga Neto informou que Al-Unser relatou a ele que policiais colocaram um saco plástico em sua cabeça e o prenderam no pescoço. Al-Unser declarou ao juiz ter desmaiado e, quando acordou, já estariam segurando a sua mão para que ele assinasse a confissão.
Para Braga Neto, todos os envolvidos em práticas de agressões devem ser punidos exemplarmente e banidos do serviço público.
“Nós temos que banir essa prática. Uma pessoa como essa não tem condição de trabalhar no sistema prisional e deve ser processado e condenado”, enfatizou o juiz.
De acordo com declarações do acusado prestadas ao juiz da 16ª Vara, Al-Unser foi espancado no dia que chegou à Casa de Detenção de Maceió, por dois agentes penitenciários: um branco e outro moreno, ambos usavam óculos e capuz, segundo relatou. Havia ainda uma terceira pessoa, que não foi vista por Al-Unser, porque estava atrás dele. Al-Unser relatou ao juiz que ainda foi obrigado a tirar a roupa e ficar em frente aos outros detentos, pelo lado de fora das grades, para que eles também pudessem espancá-lo. Ele ainda narrou que foi ameaçado pelos agentes, que disseram que o tempo que ele passar no local será espancado.
“Já se sabe quem são as pessoas que estavam de plantão no dia do ocorrido e pelas características devemos chegar a eles em breve”, esclareceu Braga Neto.
Um ofício será emcaminhado pelo juiz da 16ª Vara ao Misnistério Público Estadual, Procuradoria Geral de Justiça, Ministério da Justiça, Conselho Nacional de Justiça, e demais órgãos competentes, para que se apurem os fatos e se tomem as devidas providências em relação às torturas. O juiz solicitou ainda que o custodiado seja encaminhado ao IML para fazer o exame de corpo de delito.
O advogado Hugo Trauzola esteve ontem com Al-Unser, e este relatou que após as denúncias ao magistrado e na mídia, os espancamentos dentro do Cadeião pararam.
Al-Unser Ayslan Silva do Nascimento disse ter sofrido tortura também na Delegacia de Homicídio para confessar ser o autor do disparo que vitimou o torcedor do CRB, Jônatas Daniel dos Santos, morto no último sábado após o jogo entre CRB e América de Natal, durante um confronto entre as torcidas rivais.