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Impressa: Quinta-Feira, 23 de maio de 2013 às 11:6

BBBesteira

Publicado em 30/3/2011 às 19:37:44
por Breno Airan

Sem brincadeira, mas quem aqui leva a sério o que o apresentador (e um dia bom repórter) Pedro Bial fala sobre a "nave" Big Brother Brasil, o tal BBB da Rede Globo? Os ditos "heróis" são mais humanos que nós, pois estão sendo flagrados a todo momento, monitorados sem que se perca um lance. E mais uma edição acabou nessa terça-feira, dia 29 de março de 2011. Quem ganha com isso é o povo?!

Creio que não. O povão gosta de assistir à vida alheia, invadir a casa dos outros sem que a lei o puna, violar a intimidade ao extremo. Brigas, sexo, besteira, confinamento, dinheiro. Acho que o programa se resume a esses cinco itens - e acredito que só o 'confinamento' seja a parte a mais intrigante. Se estudassem a capacidade psicológica de alguém que está dentro de uma casa com pessoas desconhecidas, seria um programa válido. Mas não o é.

É bem verdade que todos os participantes fazem uma bateria de exames pra ver se estão 'regulados da cabeça'. Porém, qualquer dia desses não vou me surpreender se  um deles matar outra pessoa lá naquela casa luxuosa, onde o tédio reina. Essa é uma reação claustrófibica, chamada de "síndorme da cabana", o qual o confinado simplesmente surta por estar isolado do mundo e mata quem estiver ao seu redor. Parece besteira... Mas não o é.

O que importa é que haverá BBB até o ano de 2020. (Haja paciência!) Mas eu não sou hipócrita. Já assisti, sim, a esses programas, mas nunca fui, digamos, viciado. No entanto, eu tinha a esperança de que entrassem pessoas interessantes no jogo. Afinal, é um jogo, não é? Fico rindo quando participantes falam: "Fulano é jogador! Cicrano só quer saber do dinheiro". (Olha quem fala...)

Quem se submete a uma experiência de confinamento e stress dessas certamente ESTÁ pensando na bolada final. Não é à toa que muitas pessoas no começo do programa tentam se mostrar amáveis e sociáveis. A atuação da "atriz" Maria Melillo foi tão empolgante que ela levou os R$ 1,5 milhão - prêmio máximo do programa. É a atual campeã... uh!

Se teve falcatrua ou não por parte do produtor Boninho, pra mim não importa muito. O fato é que o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) constatou que a audiência do programa vem caindo ao longo dos anos. A final do BBB 11 foi transmitida para o país inteiro e conseguiu míseros 30 pontos - no ano passado, registrou-se 40 pontos de audiência, por exemplo; no BBB 6, 51, e na primeira edição, o recorde de 59. O Brasil, àquela época, respirava, vivia o Big Brother. E agora está morrendo junto com ele.

Em contraponto à queda vertigionasa de não dois ou três pontos, mas dez, a Globo já vai abrir inscrições para o BBB 12 no começo desse mês de abril. (Não, não é mentira.)  Contudo, a emissora continua a ganhar - e bem - em cima dos espectadores babões.

Segundo algumas fontes, se 29 milhões de pessoas ligassem a cada paredão - com o custo a R$ 0,31 de cada ligação, mais impostos -, a Rede Globo e a Telefônica arrecadariam a bagatela de R$ 8,7 milhões. A cada paredão!

É, e é bom que se reflita um pouco sobre o que estamos consumindo. Não vou dar lição de moral em ninguém. Não tenho esse poder, nem pretendo ter. Só que é complicado você ver sua geração ruindo e não ficar incomodado. Tenho 21 anos e já me vejo no fundo do ralo, abraçado com a juventude. George Orwell estava certo.

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