No dia 12 de setembro de 2011, acatando o convite do Deputado Estadual Judson Cabral, em parceria com o Movimento Sindical e os Movimentos Sociais, estive presente no Plenário da Assembléia Legislativa de Alagoas às 15:00 horas para participar da Sessão Especial que debateu acerca do Projeto de Lei Estadual que trata da Criação da Nova EMATER.
Como dirigente de uma grande Instituição de Ciências Agrárias no Estado de Alagoas, que lida com ensino, pesquisa e extensão, não poderia faltar a esta Sessão Especial para expressar a minha opinião particular sobre o assunto em pauta e apoiar esta grande iniciativa do governo estadual.
Apenas quatro deputados estaduais participaram da Sessão Especial: Inácio Loiola (PSDB) como presidente, Judson Cabral (PT) como propositor da Sessão Especial, Ronaldo Medeiros (PT) e Sérgio Toledo (PDT), que representam 14,8% dos 27 deputados estaduais que compõem a Assembléia Legislativa de Alagoas. Por outro lado, além da participação do Secretário de Estado de Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, Jorge Dantas, a Sociedade Civil Organizada Alagoana esteve bem representada: trabalhadores rurais, sindicalistas, jornalistas, dirigentes de órgãos públicos federais, técnicos do setor agrícola do Estado, professores de ensino superior, estudantes universitários, etc.
A ausência da grande maioria dos deputados estaduais (85,2%) foi sentida pelos participantes da Sessão Especial, visto que os mesmos irão votar o referido Projeto de Lei Estadual e perderam a oportunidade ímpar de conhecerem novos detalhes sobre o assunto em pauta, pois o debate foi muito importante, rico em idéias e garantiu o contraditório.
É inquestionável a necessidade de criação da nova EMATER, principalmente para um estado que é eminentemente agropecuário como o Estado de Alagoas e que é detentor dos piores índices de produtividade nessa área no âmbito nacional. Ninguém deverá ser contra a esta iniciativa do governo estadual.
Enquanto estudante universitário do Curso de Agronomia da UFAL ficava muito orgulhoso quando conhecia um técnico da EMATER-AL e sonhava em um dia, também, pertencer àquela empresa, pois este profissional era bastante respeitado pelos serviços prestados a sociedade alagoana, tinha o mesmo valor que o juiz de direito, o padre e o prefeito da cidade. Era uma autoridade no município onde trabalhava. Hoje não existe mais esse profissional que, além de seus serviços prestados, ainda servia de referência para os jovens estudantes universitários das Ciências Agrárias em Alagoas.
Em outubro de 2009, quando da realização da Semana do Engenheiro Agrônomo em parceria com a SEAGRA, o Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (CECA-UFAL) recebeu em suas dependências o Governador do Estado de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, e, na oportunidade, cobramos, veementemente, do mandatário alagoano a recriação das saudosas EMATER e EPEAL, visto que as mesmas foram sucateadas durante vários anos e extintas no ano de 2000, ficando a agropecuária alagoana sem rumo e sem guia.
Hoje, comparando à agropecuária sergipana com a agropecuária alagoana a diferença em prol do Estado de Sergipe é bastante significativa e a explicação lógica é que o estado vizinho tem uma estrutura de pesquisa agropecuária e de assistência técnica e extensão rural que funciona muito bem. Vejamos, então, alguns exemplos onde Sergipe supera Alagoas, tanto em produção quanto em produtividade, segundo IBGE no ano de 2009: (1) Em termos de produção vegetal (em 1.000 frutos e/ou toneladas): 85,57% de abacaxi, 2.531,25% de amendoim em casca, 225,01% de arroz em casca, 111,40% de batata-doce, 43,37% de fava em grãos, 57,37% de mandioca, 749,46% de melancia e 1.559,42% de milho em grãos; (2) Em termos de produção animal (em cabeças e/ou 1.000 litros): 30,78% do rebanho de eqüinos, 2,23% do rebanho de muares, 18,89% do rebanho de asininos, 35,43% do rebanho de vacas em ordenha, 9,60% do rebanho de galináceos e 20,29% de leite de vaca; (3) Em termos de produtividade agrícola (em frutos/ha e/ou kg/ha): 24,60% de abacaxi, 24,83% de batata-doce, 5,28% de fava em grãos, 5,57% de mandioca, 555,81% de milho em grãos, 0,68% de cana-de-açúcar, 45,77% de feijão em grãos e 26,63% de fumo em folha.
Este é um momento ímpar para a agropecuária alagoana. É uma questão de sobrevivência do setor que move a economia de Alagoas. Portanto, cabe ao governo estadual não só criar à Nova EMATER, mas dotá-la de plenas condições para que ela possa fazer a diferença na agropecuária alagoana que está agonizante, sem rumo. Não pode ser apenas um ato político para agradar a sociedade alagoana, especialmente os produtores rurais, nem servir de cabide de emprego para amparar os apadrinhados políticos. Tem que ser uma empresa pública séria, transparente, ágil, enxuta, competente, semelhante ao modelo da EMBRAPA.
Porém, para que a Nova EMATER venha se estabelecer e tenha uma vida perene é preciso que o governo estadual realize concurso público para formar seu corpo técnico, além de implantar uma política de cargos e salários que valorize a competência e o mérito profissional. Só assim, Alagoas poderá ter uma agropecuária competitiva e de qualidade, e que os técnicos da Nova EMATER ainda sirvam de referência para os jovens estudantes universitários das Ciências Agrárias em Alagoas.
Prof. Paulo Vanderlei Ferreira
Diretor do CECA-UFAL |
O melão (Cucumis melo L.) é uma cultura olerícola de grande importância alimentícia, visto que grande parte de sua produção é destinada ao consumo in natura. O fruto apresenta os seguintes valores nutricionais para cada 100 g de parte comestível: 0,8 g de proteína; 14 g de Ca; 0,4 mg de Fe; 16 mg de P; 40 U.I. de Vitamina A; 40 µg de Tiamina; 30 µg de Riboflavina; 0.6 mg de Niacina; e 23 mg de Vitamina C. Portanto, trata-se de um alimento altamente nutritivo.
No Brasil, o agronegócio do melão é um exemplo de evolução rápida de aprimoramento tecnológico e de geração de emprego e renda no Semi-Árido brasileiro; destacando-se ainda por sua inserção no mercado global, com a participação de grandes, médios e pequenos produtores. Segundo o IBGE, a área plantada passou de 5 mil hectares em 1990 para 17,56 mil hectares em 2009. Nesse período houve crescimento da produção e da produtividade. A produção brasileira concentra-se no Nordeste (94,30%), principalmente nos estados do Rio Grande do Norte (49,95%), Ceará (30,81%), Bahia (8,02%) e Pernambuco (3,96%). Em 2009, foram produzidas 402,96 mil toneladas, com produtividade de 22,97 t.ha-1 e renda de R$ 269,38 milhões. Neste mesmo ano, toda produção de melão em Alagoas ocorreu no Município de Mata Grande, com 1,43 mil toneladas, produtividade de 28,50 t.ha-1 (a maior do país) e renda de R$ 2,18 milhões.
A produção nacional é constituída basicamente do melão do tipo valenciano (Cucumis melo var. inodorus Naudim), cuja variedade tradicional Valenciano Amarelo é de origem espanhola. Os frutos são globular-alongados, com casca amarelo-canário, com discretas rugas longitudinais, sendo fina, porem resistentes, com peso médio de 1,0 a 1,5 kg. A polpa é espessa, creme-esbranquiçada. O sabor é pobre, com baixo teor de açúcares, porém é aceitável pelo consumidor. Além do aspecto atrativo, os frutos apresentam durabilidade pós-colheita, sendo resistentes ao manuseio rude e ao transporte a longas distâncias.
Por outro lado, existe o melão americano (Cucumis melo var. reticulatus Naudin) que apresenta as seguintes características: frutos ovalado-arredondados, com casca rendilhada e peso médio de 1,4 a 1,5 kg, com polpa de coloração salmão, espessa, de fina qualidade, com sabor e aroma mais ricos, sendo menos resistentes ao transporte e ao armazenamento que o melão do tipo valenciano .
O acelerado crescimento da cultura do melão na região Nordeste do Brasil exige a necessidade de um processo contínuo de melhoramento genético dessa espécie vegetal para atender aos anseios dos produtores da região. No entanto, esse processo de melhoramento genético não pode deixar de abordar a qualidade dos produtos agrícolas produzidos, o que inclui a possibilidade de associar no melão caracteres nutricionais, maior conservação pós-colheita, aroma e sabor.
Apesar da produção de melão em Alagoas ser irrisória (apenas 0,35% da produção nacional), o mercado consumidor se apresenta extremamente promissor. Assim sendo, o estímulo para o cultivo do melão, principalmente entre os pequenos produtores, poderá tornar o Estado de Alagoas, não apenas auto-suficiente, mas um grande exportador dessa cultura. Dessa forma, o nosso estado poderá ser equiparado em importância na produção de melão a outros estados do nordeste brasileiro, já tradicionalmente reconhecidos como grandes produtores como é o caso do Rio Grande do Norte e do Ceará.
Em função disso, o Setor de Melhoramento Genético de Plantas do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (SMGP-CECA-UFAL) iniciou o primeiro e único Programa de Melhoramento Genético do Melão através da Hibridação entre os Grupos Botânicos Inodorus e Reticulatus visando à obtenção de variedades que combinem as características de resistência do melão valenciano com as características de qualidade do melão americano.
Desse programa de melhoramento genético, através do cruzamento entre as variedades de melão AMARELO OURO (do grupo Inodorus) e HALE’S BEST (do grupo Reticulatus) e após várias gerações com seleção e posterior agrupamento entre as progênies de meios-irmãos, foram formadas seis populações de melão, a saber:
PM1 – frutos com formato variando de achatado (CL < CT) até ovalado (CL > CT), sem costelas, sem rendilhamento, de cor amarela (todas as tonalidades) e tamanho variando de pequeno a médio;
PM2 – frutos com formato variando de achatado (CL < CT) até ovalado (CL > CT), sem costelas, com rendilhamento, de cor amarela (todas as tonalidades) e tamanho variando de pequeno a grande;
PM3 – frutos com formato variando de achatado (CL < CT) até ovalado (CL > CT), com costelas, sem rendilhamento, de cor amarela (todas as tonalidades) e tamanho pequeno a médio;
PM4 – frutos com formato variando de achatado (CL < CT) até ovalado (CL > CT), com costelas, com rendilhamento, de cor amarela (todas as tonalidades) e tamanho variando de pequeno a médio;
PM5 – frutos com formato variando de redondo (CL = CT) até ovalado (CL > CT), sem costelas, sem rendilhamento, de cor branca e tamanho variando de pequeno a médio;
PM6 – frutos com formato variando de redondo (CL = CT) até ovalado (CL > CT), com costelas, com rendilhamento, de cor branca e tamanho pequeno.
Neste ano e nos dois seguintes, tais populações de melão serão submetidas a, no mínimo, dois ciclos de seleção massal estratificada nos municípios de Rio Largo e Delmiro Gouveia, visando à obtenção de variedades de melão para o Estado de Alagoas, que combinem as características de resistência do melão valenciano com as características de qualidade do melão americano.
Na seleção serão consideradas as plantas vigorosas, produtivas e resistentes às doenças que por ventura apareçam; frutos com casca lisa ou levemente enrugada, de cor amarela ou branca, com ou sem costelas, com ou sem rendilhamento, de forma elíptica, achatada ou arredondada, aromáticos e bastantes doces, desprendendo-se ou não da planta quando maduros, polpa espessa, firme e de cor creme ou alaranjada, de boa duração após a colheita e bastantes resistentes ao transporte.
Com os resultados desse trabalho, espera-se disponibilizar aos produtores alagoanos, o mais rápido possível, variedades de melão que combinem as características de resistência do tipo valenciano com as características de qualidade do tipo americano, colaborando deste modo com o desenvolvimento sócio-econômico do nosso Estado.
Prof. Paulo Vanderlei Ferreira
Diretor do CECA-UFAL |
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A batata-doce (Ipomoea batatas (L.) Lam) é uma hortaliça tuberosa, muito popular e cultivada em todo território brasileiro, sendo uma planta rústica de ampla adaptação, tolerante à seca e de fácil cultivo. É uma cultura energética com excelente fonte de carboidratos e vitaminas do complexo A e B. Comparando-se seu valor nutritivo com outras raízes e tubérculos, observa-se que em teores de calorias e carboidratos, é superada apenas pela mandioca; em proteínas, é superada apenas pelo inhame e o cará; em gordura, é superada apenas pela mandioca e a cenoura; em vitamina A, é superada apenas pela cenoura; é uma das mais ricas em vitamina B2, juntamente com mandioca, cenoura, nabo e a mandioquinha-salsa; é a mais rica em vitamina C; é uma das mais ricas em cálcio, ao lado da mandioca; em ferro, supera apenas a cenoura; e é a mais rica em fósforo.
Quanto à sua utilização na alimentação humana, os tubérculos podem ser consumidos diretamente, cozidos, assados ou fritos; os brotos e as ramas (últimos 10 a 15 cm) sob a forma de empanados. Os tubérculos e as ramas podem também ser destinados à alimentação animal, principalmente de bovinos e suínos, seja “in natura”, ou como silagem (apenas as ramas). Na indústria, a batata-doce é matéria prima para produção de doces (marrom-glacê), pães, álcool e um amido de alta qualidade, empregado na fabricação de tecidos, papel, cosméticos, adesivos e glucose.
No Brasil, a batata-doce está entre as dez hortaliças mais produzidas, ocupando uma área em torno de 42,2 mil hectares, uma produção em torno de 477,5 mil toneladas e um rendimento médio de 11,30 t.ha-1. O Rio Grande do Sul é o maior produtor nacional, com 32,93% da produção nacional em uma área colhida em torno de 12,7 mil hectares, e um rendimento médio de 12,40 t.ha1.
No Nordeste esta cultura tem grande importância social, por ser fonte de alimento energético e auxiliar na geração de emprego e na fixação do homem no campo. A região concentra quase 50% da área colhida de batata-doce do país com uma produção em torno de 187,6 mil toneladas e um rendimento médio de 9,00 t.ha-1, sendo a Paraíba o maior produtor nordestino e o segundo nacional, com uma produção em torno de 50 mil toneladas em uma área colhida em torno de 6 mil hectares, e um rendimento médio abaixo das médias nacional e regional.
Em Alagoas, a cultura da batata-doce ocupa uma área em torno de 2,1 mil hectares, com uma produção em torno de 18,9 mil toneladas e um rendimento médio de 8,87 t.ha-1. Isso mostra que o cultivo da batata-doce em Alagoas ainda deixa muito a desejar, tanto em termos de produção quanto em produtividade. A sua produção corresponde a 3,97% da produção nacional e a 10,09% da produção nordestina, enquanto que a produtividade corresponde a 78,50% da média nacional e a 98,58% da média regional. Isto se dá tanto pela baixa tecnificação dos produtores e da pouca orientação profissional quanto pela falta de variedades selecionadas que atendam as características do mercado consumidor e de conhecimentos adequados sobre vários fatores de produção.
Pela importância da cultura da batata-doce para o Estado de Alagoas, o Setor de Melhoramento Genético de Plantas do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (SMGP-CECA-UFAL) iniciou o primeiro e único Programa de Melhoramento Genético da Batata-Doce para Alagoas, objetivando desenvolver variedades de batata-doce adaptadas, com boas características agronômicas, elevada capacidade produtiva e resistência às principais pragas e doenças que assolam a cultura na região.
Desse programa de melhoramento genético foram desenvolvidos 14 clones de batata-doce, os quais estão sendo avaliados em Rio Largo e em outros municípios do Estado de Alagoas, competindo com as principais variedades da região.
Os clones 6 e 14 vêm apresentando excelente desempenho em todas as avaliações efetuadas (entre 120 e 130 dias após o plantio), com médias de 12,20 t.ha-1 e 12,13 t.ha-1, respectivamente. Isto corresponde a 7,96% e 7,35% acima da produtividade média do Brasil, a 37,54% e 36,75% acima da produtividade média de Alagoas, e a 31,75% e 30,99% acima da média de produtividade das principais cultivares locais da região (Sergipana, Sergipana Branca, Coquinho, Rainha Prata e Rainha de Penedo), respectivamente. Estes clones (CL 6 e CL 14) estão em fase de proteção, para posteriormente serem disponibilizados aos produtores alagoanos como as primeiras variedades alagoanas de batata-doce, e os demais continuam em fase de avaliação.
Prof. Paulo Vanderlei Ferreira
Diretor do CECA-UFAL |
O Estado de Alagoas tem como âncora de sua economia a agropecuária, e nela o agronegócio alcança mais de 70% das atividades desenvolvidas no Estado. Desse total, a cana-de-açúcar, sozinha, ocupa a maior área cultivada e o maior valor da produção. Na pecuária, destaca-se a criação de bovinos de leite no Agreste e Sertão, a bovinocultura de corte no Agreste e Zona da Mata e a ovinocultura em todo o Estado, ficando a criação de pequenos animais, inclusive a avicultura, restrita aos pequenos produtores de subsistência.
Um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento de Alagoas tem sido a baixa produtividade de quase todas as atividades rurais, não sendo possível competir com produtores de outros Estados nordestinos e, sobretudo, do Sudeste.
Nos Super e Hiper mercados os produtos alagoanos têm presença pouco expressiva e sua produção se destina às feiras livres, pois faltam qualidade e preços competitivos. Esse cenário desfavorável à agropecuária e ao desenvolvimento sustentado de Alagoas decorre, em grande parte, da ausência de pesquisa na área de Ciência e Tecnologia, bem como pela falta de assistência técnica qualificada que permita a inserção dos produtos alagoanos nos mercados local, regional, nacional e internacional. O exemplo disso é a cana-de-açúcar produzida pelos grandes produtores que gera uma produtividade no campo e na indústria altamente competitiva, exatamente porque possuem um aparato de pesquisa e assistência técnica moderno. No entanto, a cana-de-açúcar produzida pelos pequenos fornecedores não tem acompanhado o nível de produtividade do que ocorre nas usinas, justamente por falta de uma assistência técnica qualificada, o que tem excluídos muitos produtores.
A demanda por esses novos serviços e produtos, por parte dos produtores rurais, sempre exerceu uma grande pressão juntos aos governos para a criação de um estabelecimento de ensino superior em Ciências Agrárias, visando disponibilizar profissionais habilitados e atender as demandas da área, em função da agropecuária e suas cadeias produtivas terem sido, até os dias atuais, a principal atividade econômica do Estado de Alagoas. Várias tentativas de criação desse estabelecimento de ensino foram feitas, porém sem sucesso, a saber: a) Em 1922, a Escola de Agronomia de Alagoas, em Maceió-AL; b) Em 1923, a Escola de Agronomia de Alagoas, em Maceió-AL; c) Em 1933, a Escola de Agricultura de Alagoas, em Maceió-AL; d) Em 1935, a Escola de Agronomia de Alagoas, em Viçosa-AL.
Quarenta anos após a última tentativa de criação de estabelecimento de nível superior em Ciências Agrárias no Estado de Alagoas, a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) criou o Centro de Ciências Agrárias (CECA) em maio de 1975, com o objetivo de formar Engenheiros Agrônomos para atender as necessidades do Estado de Alagoas em termos de agricultura; desenvolver pesquisas na área de Irrigação e Drenagem, Fitotecnia e Zootecnia; e desenvolver Programas de Extensão. O CECA iniciou suas atividades, de forma precária, na Fazenda São Luiz, doada pelo município de Viçosa à UFAL, com 13 docentes, dos quais apenas um Mestre, e 25 técnico-administrativos. Em função de uma série de problemas que comprometia o alcance de seus objetivos maiores, tais como: apenas o ciclo profissional do Curso de Agronomia funcionava no CECA, o Município de Viçosa apresentava infra-estrutura precária de moradia e de outros serviços para atender aos docentes, discentes e técnico-administrativos do CECA, entre outros, a UFAL transferiu o Centro para o Campus A. C. Simões, em Maceió-AL, que funcionou naquele Campus de agosto de 1984 até janeiro de 1996. Como o Centro não tinha suas bases físicas e ocupava uma parte do prédio do Centro de Ciências Exatas e Naturais (CCEN), e a UFAL adquiriu as instalações do Ex-PLANALSUCAR, o CECA foi transferido para o Campus Delza Gitai, nome dado àquele espaço físico, em janeiro de 1996.
Atualmente, o Centro de Ciências Agrárias encontra-se funcionando no município de Rio Largo, contando com 63 docentes, destes 45 são Doutores e 15 Mestres, e 92 técnico-administrativos do quadro efetivo. Em termos proporcionais, é uma das Unidades Acadêmicas mais bem tituladas da UFAL em relação ao corpo docente. Além disso, possui estruturas fora da sede, cujas áreas somadas a sua sede totalizam, aproximadamente, 472 ha, que corresponde a 59,15% da área física total da UFAL.
Na área de ensino, o CECA-UFAL conta, atualmente, com dois cursos de graduação: um de Agronomia e outro de Zootecnia, bem como cinco cursos de pós-graduação, a saber: um doutorado em Proteção de Plantas, três no nível de mestrado: Produção Vegetal, Proteção de Plantas e Zootecnia, e um de especialização em Proteção de Plantas. Juntos esses cursos somam, atualmente, mais de 700 alunos matriculados e já formou mais de 1.200 profissionais (Engenheiros Agrônomos, Zootecnistas, Mestres em Agronomia, Mestres em Zootecnia, Especialistas em Proteção de Plantas, etc.). Conta, também, com projetos para criação de novos cursos de graduação e pós-graduação, a saber: Curso de Graduação em Biotecnologia, Curso de Graduação em Engenharia Florestal, Curso de Pós-Graduação em Produção Vegetal – nível de doutorado e Curso de Pós-Graduação em Energias Renováveis (nível: mestrado profissional).
Na pesquisa e extensão, o CECA-UFAL, para atender as demandas locais e regionais, tem desenvolvido importantes projetos e programas nas áreas de produção vegetal e animal, através de seus diversos setores de estudos e laboratórios, envolvendo as áreas de biotecnologia, fisiologia vegetal, melhoramento genético de plantas, manejo e fertilidade do solo, irrigação e drenagem, fitossanidade, suinocultura, avicultura, ovinocultura, etc., destacando-se o Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA), que desenvolve pesquisa em rede com 10 universidades, sendo quatro do Nordeste, três do Sudeste, duas do Centro-Oeste e uma do Sul. Além da participação anual efetiva na EXPOAGRO, com cerca de 300 alunos dos Cursos de Agronomia, Zootecnia e Medicina Veterinária distribuídos em todos os setores da exposição e com estande para divulgar as ações da Unidade Acadêmica. Atualmente está sendo implantado no CECA, em uma área de 50 ha, o Projeto Fazendinha, que será uma pequena propriedade modelo do Sistema Agroecológico.
O CECA tem feito um esforço enorme para atender apenas uma pequena fração da alta demanda reprimida de educação agrícola, ciência e tecnologia, mas, sobretudo, de assistência técnica aos produtores rurais, pois mesmo ocupando três grandes áreas físicas diferentes (Viçosa, Rio Largo e Murici), possui fortes limitações decorrentes da condição de sua estrutura institucional, que recebendo uma pressão de demanda própria de Universidade Rural, opera como Unidade Acadêmica da UFAL, sofrendo um grande constrangimento de pressão do pleito não atendido, pois com o fechamento da EMATER e da EPEAL a grande maioria das exigências científicas e tecnológicas é canalizada para o CECA, que ficando na dependência da UFAL só consegue atender, apenas, uma pequena parcela desses pleitos.
Nesse sentido, o CECA para cumprir sua missão de contribuir como instituição central do desenvolvimento de produtos e serviços necessários e suficientes ao agronegócio alagoano necessita ter uma estrutura institucional mais ampla, que alcance o nível de Universidade Rural, condição preponderante para inserir o produtor rural na nova matriz tecnológica derivada do processo de globalização.
A transformação do CECA na Universidade Federal Rural de Alagoas (UFERAL) terá papel decisivo na melhoria significativa do padrão de desenvolvimento do Estado, principalmente incrementando e fortalecendo o meio rural, ocupado com atividades agrícolas e não-agrícolas, formando profissionais capacitados para atender as demandas da agropecuária e suas cadeias produtivas, bem como promovendo a educação continuada dos seus egressos e profissionais da região, a exemplo do que vem acontecendo em vários Estados da região Nordeste do país. Essa transformação do CECA-UFAL na UFERAL deve ser encarada como uma solução tanto para o setor agrícola como para a área educacional do Estado de Alagoas, caracterizando-se como uma separação benéfica para o Estado, a exemplo do que ocorreram nos Estados da Bahia (Escola de Agronomia da UFBA na Universidade Federal do Recôncavo Baiano), Paraíba (Campus de Campina Grande da UFPB na Universidade Federal de Campina Grande) e Rio Grande do Norte (ESAM na Universidade Federal Rural do Semi-Árido).
Com esse novo aparato institucional, as transformações no campo e nas cidades alagoanas vão significar um aumento de grandes proporções da classe média, pois o agronegócio quando diversificado e apoiado por programas de ciência e tecnologia permite gerar muitas oportunidades de ocupação e renda tanto a montante como a jusante, principalmente através de agroindústrias de primeiro, segundo e terceiro nível.
Essa mudança vai gerar maior renda per capta capaz de inserir o Estado de Alagoas na economia nacional, a exemplo do que ocorre com o Estado do Rio Grande do Norte, com suas instituições de ensino, pesquisa e extensão desempenhando um papel central na mudança do padrão de desenvolvimento local, fortalecendo o meio rural e suas atividades agrícolas e não-agrícolas.
O desenvolvimento local para ser sustentável necessita de tecnologia de ponta, que aplicada localmente gere serviços e produtos competitivos ao nível global. Sem atender os pré-requisitos universais de qualidade e produtividade o desenvolvimento fica severamente comprometido.
Para atender a nova demanda dos consumidores se faz necessário uma mudança no sistema de produção, de produtividade da agropecuária do Estado, o que não é possível ser feito com a dimensão institucional de Unidade Acadêmica da UFAL.
Portanto, como são notórios os benefícios que esta transformação trará para o Estado de Alagoas, espera-se, no entanto, contar com o apoio político incondicional dos parlamentares alagoanos e do Conselho Superior da Universidade Federal de Alagoas a esta causa, para que este grandioso sonho da sociedade alagoana de ter uma instituição pública rural de nível superior, voltada para a vocação do Estado de Alagoas, possa se tornar realidade, viabilizando a transformação do CECA-UFAL na UFERAL.
Prof. Paulo Vanderlei Ferreira
Diretor do CECA-UFAL |
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A pesquisa é um processo de gerar conhecimento. Em outras palavras, é uma técnica de investigação e estudo, minuciosa e sistemática, com o fim de descobrir ou estabelecer fatos ou princípios relativos a um campo qualquer do conhecimento.
Vejamos, então, alguns exemplos de sua importância em algumas áreas:
Na Universidade, a pesquisa é um instrumento efetivo para mudar a sua realidade e atender as expectativas da comunidade universitária e da sociedade em geral. É por isso que a importância da Universidade está, pois, na posição que ocupa a pesquisa na sua estrutura. Já dizia VASCONCELOS SOBRINHO, ex-professor titular da UFRPE, autor de vários livros e monografias: “Uma Universidade sem pesquisa, é uma Universidade morta. Nela o professor não faz chegar aos alunos a vivência da teoria que ensina. Em vão o giz corre através do quadro negro tentando expressar uma mensagem oca, feita só de palavras sem conteúdo. Para que a mensagem que o professor busca transmitir ao aluno alcance sua inteligência, desperte-lhe interesse e se transforme em vivência, é indispensável que essa vivência exista já no Mestre como aquele “saber de experiência feito” de que nos fala Camões. A não ser assim, o aluno deixa-se vencer pelo tédio e o professor pelo desapontamento e, em breve, frustrado, lamenta a profissão que escolhera tão desprovido de vocação para exercê-la”.
Na agricultura, a pesquisa é um meio efetivo para transformá-la, pois o seu progresso depende inteiramente da exatidão e perfeição dos conhecimentos disponíveis aos agricultores e seus consultores técnicos. Por exemplo, a tarefa de controlar uma doença numa determinada cultura não podia ser convenientemente efetuada sem que se soubesse qual é o patógeno causador da doença nas plantas e exatamente qual o método mais apropriado de controle e a melhor época ou maneira de utilizá-lo. Na realidade o problema é muito mais complexo do que isso, porque na agricultura não existe um único método que se possa classificar como “o melhor”; ao contrário, existe a possibilidade de vários métodos, dos quais um é o mais indicado para determinadas condições e outro para condições diferentes. Tudo isso tem que ser descoberto por meio da pesquisa. Se a ciência tiver bom fundamento, segue-se necessariamente a boa prática, ao passo que não havendo base científica, a prática é incompleta e defeituosa.
Portanto, diante dos exemplos apresentados acima, percebe-se porque se faz pesquisa, visto que é o único instrumento efetivo para promover a melhoria do mundo que vivemos e o bem estar da humanidade.
Prof. Paulo Vanderlei Ferreira
Diretor do CECA-UFAL |
Paulo Vanderlei Ferreira é Engenheiro Agrônomo pela UFAL, com Mestrado e Doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas pela USP. É professor da UFAL desde 1978, com dedicação exclusiva.