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A famosa ida ao banheiro II
8/4/2010 às 22:52:52
Publicado por Breno Airan

Jorge era um alcoólatra de carteirinha. Tinha conta no bar da esquina, conhecia a todos e era um mestre na arte de encaçapar bolas. “Ninguém bate o homem na sinuca, gente!”, gritava seu parceiro de sempre, Alexis (escrito assim mesmo). E todo dia era o mesmo esquema: trabalho, barzinho, casa, barzinho, sinuca, casa.

Ele morava com a mãe (uma senhora já com certa idade que adorava o Jogo do Bicho), e não era casado. Contudo, tinha um affair com a irmã de Alexis, que era um caso sério. Ele só a procurava quando queria e ela, admirada com seu jeito boêmio, cedia todas as vezes. Mal tirava a roupa e já ia cedendo — e isso não afetava na amizade dos dois velhos amigos.

Pois bem, este era o cenário: Jorge e Alex estavam acabando de voltar pra mesa de mais uma partida de sinuca bem sucedida, enquanto Kerolaine e Dora — a tal irmã de Alexis — conversavam sobre futilidade feminina. “Você viu os novos participantes do Big Brother, mulher?!”, dizia a última. Sobre a mesa, três cervejas; sob a mesa, mais três cervejas. A dupla que perdesse o jogo, haveria de pagar a conta até então da mesa dos ganhadores.

— Muito bom ganhar. Oh, sensação boa! — deliciou-se Jorge.
— Nem me diga. A bola preta parecia que não ia entrar nunca! E cadê os cara pra pagar a conta? Pede aí um tira, enquanto isso... Vai, antes que eles vejam! — disse Alexis.
— Você quer o que Dorinha? O de sempre, né?! Oh, Marcelão, vem cá. Um filé com fritas aqui, por favor... Valeu, chefia!

Os perdedores pagaram a conta. Conversa vai, conversa vem. Álcool entra... álcool tem que sair. Jorge, decidido e com a bexiga cheia, encaminhou-se ao banheiro em grandes passadas. Lá, põe a mão direita na parede, olha pra cima, fecha os olhos e nem faz força: Shuuuuuuá! Desce tudo, juntamente com um frêmito que parece mais uma agulhada na ossatura, de cima a baixo.

Extasiado de prazer, ele põe os olhos num maço de cédulas, bem do lado da lixeira. Jorge não acredita, pega e, mesmo estando melado de urina alheia, deixa pra contar em casa, guardando o dinheiro no bolso direito. Volta pra mesa às pressas, deixa sua parte da conta e diz: “Dorinha, já vou, meu amor. Até amanhã”, dando-lhe uma bitoca na boca. Mas Alexis insistiu:

— Fica pra saideira, Jorginho!
— Nada. Amanhã à noite a gente toma mais. Tô cansado. Abraço! E tchau, Kerolaine — disse ele, com certa pusilanimidade na voz.

E foi. Entrou em casa às pressas em direção do banheiro. Chegou lá e já foi mexendo na calça. A braguilha tava meio que presa. “Vai, vai!”, pensou ele. Urinou um pouco na calça e, por fim, conseguiu abrir e fazer xixi com o deleite habitual dessas horas. Terminado, pegou as notas em seu bolso pra contar.

“Tudo melado de mijo!”, pensou ele, rindo. Havia logo uma onça de primeira. “Eh, sorte! Essa morreu afogaaaaaaaaada na mijadeira”, ironizou, falando meio enrolado. A sequência de cédulas era de maioria de 2 reais. “Porra! Tartaruga marinha sabe nadar!”, gritou ele sozinho no banheiro, rindo com raiva da má sorte.

Sua mãe ouviu vozes e foi ao banheiro: “Meu filho, tudo bem aí dentro?”. Ele, terminando de contar os 76 reais apurados, inferiu: “Tudo, mamãe! Tô tomando banho e cantando”. A velha senhora foi dormir, tranquila. O marmanjo saiu de fininho e foi até a geladeira. Pegou um varalzinho e fez uma engenharia, pensando empolgado: “Vou tomar uma pesada amanhã depois do trabalho que nem venho pra casa almoçar”.

Pendurou todas as notas, lavadinhas, atrás da geladeira pra secar mais rapidamente. No outro dia, assim que acordou, foi à geladeira como uma leoa vai em direção de sua vítima. Puxou a geladeira e nada. “Mas quem terá sido?”, pensou ele. “Mamãe!”. Foi até o quintal, onde dona Lourdes varria serenamente o chão e perguntou, desesperado:

— Mamãe, onde estão as notas que tavam atrás da geladeira? Sabe dizer?
— Eram suas?!
— Não... — disse ele, fazendo uma careta de “Claro, né, sua velha?”.
— Ah, meu filho, me desculpe. Mas eu peguei tudo e joguei no Macaco. Sou viciada no Jogo do Bicho, você sabe...
— Não acredito, não, nisso, mamãe! Era o dinheiro de beber hoje — murmurou ele, em devaneio.
— Pois foi, meu filho. Logo cedo eu fui e joguei tudo nele.
— Porra, mãe! Jogava no 19! Era pra ter jogado no Pavão... — esqueceu-se ele da bebida, virando as costas e gesticulando.
— Não diga palavrão, menino!
Tags: banheiro, jogo, do, bicho, álcool, bebida, cana, , sinuca

A famosa ida ao banheiro
5/4/2010 às 14:46:4
Publicado por Breno Airan

Bem, todo mundo sabe que chega uma hora que não dá pra aguentar mais. Axé music e “swingueira” 24 horas por dia e, o pior, todos os dias de carnaval, não dá. Não dá, não dá de jeito nenhum. Se fosse no tempo do Netinho, Ricardo Chaves, Banda Eva, mas... Ivete Sangalo ('Vou te comer!'), Psirico e Parangolé, é, se me permitem, foda!

— Tira essa merda! Já tô puto aqui, sem brincadeira.
— Cala a boca. Carnaval é carnaval!

Sim, carnaval é carnaval. Folia e cerveja até a ressaca. Mas as músicas são as mesmas de 20 anos atrás. Pelo menos a temática — e a “levada louca”. Minto, as músicas de hoje pecam ao não ter o ingrediente principal numa música: criatividade. Porém, o que se pode fazer, se você é o único com bom senso na mesa? Tirar a água do joelho.

— Vou mijar. É o melhor que faço — inferiu Cláudio, ao ver que a discussão pseudo-musical iria longe. — E cadê a batatinha que num chega?!
— Vá, vá. “Quebre, quebre, quebre, quebre, quebre... Haaaaaaaaai!” — cantou Juninho.

Cláudio foi. Juninho, Marquinhos e Deninho se entreolharam e riram. O primeiro foi dar cobertura, levantando-se e indo vigiar a porta do banheiro. De lá, dava pra ouvir a cachoeira. Ele mimicou: “Vai, vai!”. E Marquinhos rapidamente pegou duas barras de sabão amarelas e começou a fatiar em forma de palito, enquanto Deninho entrou na cozinha e pegou um prato, um papel-toalha e queijo ralado Pampulha.

O xixi demora, de fato, quando se está alcoolizado. A bebida alcoólica tem um ingrediente que engana nosso cérebro, fazendo com que ele pense que é água o que estamos ingerindo: a molécula de etanol (na verdade, muitas). Daí, a grande quantidade de urina. Daí, a aceleração disrítmica do coração, por assim dizer.

A batata frita maquiavélica está na mesa e a primeira coisa que Cláudio faz é encher o copo. Nota o tira-gosto virgem sobre a mesa e os amigos conversando sobre mulheres fáceis do carnaval afora. Os três estão ligeiramente ébrios, mas conscientes e “sabendo atuar”, esperando pelo clímax.

Cláudio, amante de batatinha frita que só ele, em sua inocência, pega logo três com o palito, põe na boca sem cerimônia e diz: “Puta que pariu! Falta sal”. E os três amigos, ao verem a espuma descendo pelas beiradas da boca do amigo, choram de rir — lágrimas têm sal, afinal.

Tags: batata, frita, banheiro, amizade, carnaval

A amizade
31/3/2010 às 23:18:8
Publicado por Breno Airan

— Puta que pariu! Que vontade de fumar...
— E é um descontrolado, é? Acabasse de fumar um cigarro agora na conveniência.
— É que tenho agonia de ficar muito tempo viajando!
— E daí?
— Daí que tenho que fumar.
— Pra quê?
— Porque eu quero, eu preciso.
— Certo. Vá fumar no banheiro do ônibus, ora.
— Porra, você é um gênio — disse Eduardo, dando-lhe um beijo na testa forçado. Rômulo não gostou muito do carinho. Ele era um pouco machista e sabe-tudo.
— Isso um dia ainda vai te matar! — alertou ele.
— Todos vamos morrer um dia — ironizou Eduardo, com a prepotência de todo fumante ciente de seu calvário. — Fumo porque me faz bem.
— Mas não faz. Você sabe que só um cigarro desses tem mais de quatro mil substâncias que fazem mal à saúde!
— E o que faz bem? Comer alface?!
— Não seja idiota. Você sabe que faz mal de verdade. E muito.
— Não seja idiota. Eu fumo, porque me faz bem; me sinto bem fumando.
— Pois morra... — declarou Rômulo, fingindo estar nem aí pra seu melhor amigo.
— Morrerei quando Deus quiser.
— Que nada. Você tá é acelerando o processo! A cada cigarro que você fuma, é menos 11 minutos que você tem aqui na Terra...
— ... e mais 11 minutos perto do Senhor! — brincou Eduardo, fazendo cara de evangélico pobre.
— Quer saber? Vou continuar a ler meu livro do Bukowski. Por que você não vai até o banheiro logo?!
— Você tem toda a razão. Já tava esquecido com todo esse papo furado...

E foi. Já estava tirando do bolso apertado direito da calça jeans meio grunge uma carteira de Hollywood California, que segundo ele, era o cigarro “no grau” — nem forte, nem fraco. Eduardo pegou seu isqueiro no qual ganhara da namorada, que inclusive não gostava do fato de ele fumar, mas tinha de aceitar. Por isso dera o tal isqueiro liso cromado pra ele.

O ônibus estava indo para um show de rock. Uma banda que tanto Rômulo quanto Eduardo gostavam muito. Aerosmith. O vocalista já não cantava como antes. “Talvez por causa de toda a coca que ele cheirou”, ria Eduardo, sonhando com o espetáculo. De fato, quando se aspira cocaína, ela passa pelas cordas vocais e as prejudica. Muito. O mesmo acontece com o tabaco. Por isso que quem fuma tem aquela voz marcante.

“Não sei como porra ele tá lendo”, pensou Eduardo, irritado com o fato do amigo não estar nervoso com o show que começaria em pouco mais de cinco horas. “Vou é fumar outro cigarro pra ver se relaxo”. E entrou no banheiro.

Acendeu. Deu o primeiro trago. Seu corpo estremeceu de prazer. Logo a nicotina tomou conta de seu peito e a seguir de seu sangue. Abriu a janelinha pro ar circular. De repente, viu a paisagem lá fora ficar distorcida. Mais e mais. Rodando e rodando, até ficar de cabeça pra baixo. Ele rodou igualmente dentro da pequena cabine. O ônibus havia capotado.

Seu braço esquerdo estava quebrado. Saiu da cabine, chorando de dor, com o cigarro no bico, pego do chão. “Rômulo!”, pensou. Foi em busca de seu amigo e logo a adrenalina tratou de amainar a dor no braço. Roqueiros de preto, roqueiros de preto, livro do Bukowski, roqueiro de novo, Rômulo. Morto.

Por estar sem o cinto, voou sem destino e quebrou o pescoço no chão, sem chances de adeus. Eduardo, chorando, gritava seu nome. Ele não acordava. Não reclamava mais. Nunca mais ele cantaria a música do filme Armageddon, cujo refrão começa com “I don’t wanna close my eyes”, já que ele fechara seus olhos para sempre. Eduardo pôs a mão em seu bolso, tirou um cigarro numa tremedeira peculiar, acendeu e disse: “Vou fumar mais rapidamente pra te encontrar, meu velho!”.

Tags: amizade, cigarro, fumar

As cantadas
31/3/2010 às 17:57:57
Publicado por Breno Airan

Há cantadas que dão certo como as do Alex e do Arlindo. Calma! Logo, logo você vai entender. Mas às vezes não tem como: a guria não quer sair/ficar/”brincar”/beber/jogar Guitar Hero contigo e você tem que sair por cima, embora leve um fora traumático. A priori, o Alex. Criaremos um personagem: Tiago. Tiago não; Thiago... Agora sim! Thiago com agá, feliz da vida, com o xaveco na ponta da língua (e a vontade de usá-la), chega a seu flerte e:

- Oi, Jennyfer (leia-se Djenifer)! Tudo tranquilo? Você deu uma encorpada, hem? Pensei em ti esses dias...
- Tudo bem. Foi mesmo? E por quê?
- Por nada. Acho que eu sonhei contigo. Por isso você tá com as coxas mais grossas... de tanto correr de mim nos sonhos.
- Ai, para – murmurou ela, ruborizando.
- É sério. Eu posso até te fazer esquecer o Alex.
- Alex?
- Sim, o Alex!
- Que Alex?!
- Tá vendo... Você já esqueceu.

E é só correr pro abraço... e pro beijo. É bem verdade que esta “cantada do Alex” pode muito bem ter outro nome. Mas Thiago com agá prefere assim. E ainda arrisca a do Arlindo:

- Oi, tudo certinho? Te vi de longe, sozinha, aqui nesse show perigoso da Ivete Sangalo, e te achei linda. E não pense que vou usar a cantada-cafajeste do “vou te comer!”, não... Meu nome é Arlindo. Mas pode me chamar somente de lindo, porque o ar eu já perdi quando te avistei.

Pois bem, é... é difícil saber o que dizer numa hora dessas. Melhor beijar logo, porque o cara mereceu. Foi ou num foi?! Foi. Lógico. Evidente. O chato é quando Thiago com agá tem de chamar alguém pra ir ao cinema. Às vezes, a gente quer dar uma de cavalheiro e tal... pagar a entrada da nossa paquera. Mas há menina que não merece um M&M’s, nem um grãozinho de milho pré-pipocado. E nessas horas, Thiago com agá sabe sair ileso.

- Vamos assistir a um filminho... hoje?! – pergunta ele, inocente.
- Você só quer ir hoje, porque hoje é quarta e quarta-feira é mais barato... Euzinha aqui só saio com quem tem cacife, mô bem!
- É você quem sabe... quer ir final de semana, vamos! É você quem vai pagar o seu mesmo.

Palmas. Não haveria melhor saída! Mas teve uma vez que Thiago com agá acabou levando a pior. Foi chamar uma china pra curtir a vibe, mas...
- E aí, vamo curtir uma vibe?
- Por que você tá falando assim? A gente tá numa rave, mas não precisa falar como um idiota – arremessou a garota. Nessas horas, ele pensava em Jennyfer (leia-se como lá em cima).
- Não, é que esse pessoal é bem descolado. Pensei que você fosse dessa tribo loca – disse ele, gesticulando.
- Tá muito barulho e eu tô muito doida. (De extasy. Sim, ela era da vibe, era da tribo, era má.) Põe nesse guardanapo o teu MSN que eu te add. OK, lindinho? E depois sai daqui...

Thiago com agá fez “o que lhe foi ordenado”. Achou estranho. Achou excitante. E é dessas mulheres que os homens têm fetiche. É dessas mulheres que os homens têm medo. É por conta dessas mulheres que o autor que vos fala tem a certeza de que o mundo sem elas seria habitável. E sem graça. Mas graça mesmo achou Thiago com agá quando viu a janela para a aceitação do usuário luciana_htona23@hotmail.com. “Pronto”, pensou ele. “Tá no papo!”. Depois de muitas investidas, o nosso galanteador se abusa.

Thiago (B) diz:
Ah, luh.. eu qria saber mais sobre vc. a gnt mal cunversou na rave, mais parece q vc nao quer contribuir... :/

Luhhh (L) ObRiGaDa, MeU dEuS!!!! diz:
Meu fio, digae oq vc qr sabeah de mim, hihi

Thiago (B) diz:
Sei lá, eu tinha q descobrir coisas que vc gosta de fazer, pra onde vc custuma i, os lugares, essas cosas :D derrepente a gnt saia pra algum canto juntos, so nois dois.. doq tu gosta?

Luhhh (L) ObRiGaDa, MeU dEuS!!!! diz:
Gosto de fika em casa mesmoo..

Aí não tem jeito... Luciana era dessas gurias que apertam no comando de “chamar a atenção” no MSN só pra dizer que por onde passam, chamam atenção. Ele desistiu dela de primeira. A solução foi Thiago com agá procurar outros cabelos para acariciar, mas não antes de se armar no Google, digitando 'cantadas'.
Tags: cantadas, foras

É show!
31/3/2010 às 17:54:59
Publicado por Breno Airan

– Vambora pro show da Maria Gadú?
– Como é, rapaz? Maracatu?! Tá horrível o sinal dessa operadora. Meu celular também tá muito velho... a ligação tá cortando – explicou Michel.
– Sim, Maria Gadú. É muito bacana! Você nunca ouviu? – perguntou Filipe.
– Claro que já escutei maracatu, meu amigo! – disse ele, um tanto ofendido. – Pena que Chico Science morreu... Gosto muito da mistura que eles fazem com o rock.
– É... – disse Filipe, sem entender direito. – Então vamos marcar: 21h em frente à pizzaria Arrivederte. Ok?
 
Tudo combinado, tudo acertado. Como você (vá me perdoando logo pelo termo coloquial) já deve ter percebido, houve uma pequena falha de comunicação. Mas nada que impeça de a noite ser aprazível. Espero...

Chegando lá:
– Que porra é essa? – perguntou Michel, ao som da voz marcante de Maria Gadú e seu Shimbalaiê a postos. – Você quer que eu fique aqui tomando refrigerante? Você sabe que tenho diabetes. E eu só penso em tomar uma Fanta ouvindo uma música desse naipe...
– Calma, Michel, ora! Essa é Maria Gadú: o fenômeno da nova MPB. Eu disse pra você que era ela que ia tocar de graça aqui na praça – esclareceu para o amigo.
– Grandes coisas. Pena que entendi errado. Entendi “Maracatu”. Você fala todo errado... devia fazer um curso de dicção! – zombou ele.
– Que nada de Maria Gadú. Eu falei maracatu – confundiu-se.
– Tá vendo? De novo.
– Você quem devia limpar essas orelhas. Eu falei certo; tu tá entendendo tudo errado.
– Quer saber, vou ver se nesse apinhado de homossexuais tem alguma mulher que valha a pena... Que valha a pena não, qualquer uma! – disse ele, revoltado gesticulando com o dedo indicador direito pra cima.

Logo se aproxima a primeira vítima. E última.
– Olá, senhorita. Percebi que você é uma das poucas heteros nesse show “super bacana”.
– Eu nem gosto de Maria Gadú – emendou ela, rindo. – Na verdade, só vim pra espairecer e porque é de graça. Eu, Maria Rita, e minha prima Dulcinha. Prazer.
– Ah, tá explicado porque você não gosta. Maria Rita tem de gostar de... Maria Rita – disse ele, brincando. – Meu nome é Michel.
– Rapaz, pior que é mesmo – riu a moça.

Apesar da boa investida no começo e das boas risadas, conversa vai, conversa vem e nada. Ele tentou beijá-la duas, três vezes e... nada. Enfim, Michel se exalta, agoniado:
– Ó, vou ser franco. Tenho diabetes e você tá fazendo cu doce. Não rola. – E saiu puto da vida. Ele chegou até Filipe e disse: “Vambora pro show do Parangolé?”.
Tags: show, mania

Sou um projeto de jornalista e cronista/contista.

Sou a ponte entre o médico e o monstro, a moral e o imoral, o verdadeiro e o plágio. Ser eu já é muito egoísmo.

E não é lá grandes coisas.

brenoairan@folha.com.br
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