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Eu estava perambulando pela internet quando me deparei com esse depoimento cheio de emoção de um docente, dele que tenta fazer desse país um lugar decente. Mas parece que essa nova geração não quer nada da vida...
O professor foi indiciado pela Polícia Civil só porque pediu para a aluna se comportar na sala de aula. Ele mandou uma notinha para um colunista do Rio Grande do Sul, do jornal Correio do Povo. Sem mais. Leiam, por favor: A realidade de hoje! Porto Alegre (RS), 16 de julho de 2011 Caro Juremir (CORREIO DO POVO/POA/RS) Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre , onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e, talvez, “pela entrada do inverno”, resolveu também ir á aula uma daquelas “alunas-turista” que aparecem vez por outra para “fazer uma social”. Para rever os conhecidos. Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos. Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava de bastante atenção de todos, toca o celular da aluna, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender' e que o Colégio é um local aonde se vai para estudar. Então, a “estudante” quis argumentar, quando falei que não discutiria mais com ela. Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma. A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, sua mãe ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretoria da Escola. Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil!... Isso mesmo!... tive que comparecer no dia 13/07/11, na 8.ª (oitava Delegacia de Polícia de Porto Alegre) para prestar esclarecimentos por ter constrangido (“?”) uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta as aulas e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores'. A que ponto que chegamos? Isso é um desabafo!... Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil. Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com frequência temas relacionados à educação, ''te peço, encarecidamente, que dediques umas linhas a respeito da violência que é perpetrada contra os professores neste país''. Fica cristalina a visão de que, neste país: * NÃO PRECISAMOS DE PROFESSORES * NÃO PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO * AFINAL, PARA QUE SER UM PAÍS DE 1° MUNDO SE ESTÁ BOM ASSIM Alguns exemplos atuais: · Ronaldinho Gaúcho: R$ 1.400.000,00 por mês. Homenageado pela “Academia Brasileira de Letras"... · Tiririca: R$ 36.000,00 por mês. Membro da “Comissão de Educação e Cultura do Congresso"... TRADUZINDO: SÓ O SALÁRIO DO PALHAÇO, PAGA 30 PROFESSORES. PARA AQUELES QUE ACHAM QUE EDUCAÇÃO NÃO É IMPORTANTE: CONTRATE O TIRIRICA PARA DAR AULAS PARA SEU FILHO. Um funcionário da empresa Sadia (nada contra) ganha hoje o mesmo salário de um “ACT” ou um professor iniciante, levando em consideração que, para trabalhar na empresa você precisa ter só o fundamental, ou seja, de que adianta estudar, fazer pós e mestrado? Piso Nacional dos professores: R$ 1.187,00… Moral da história: Os professores ganham pouco, porque “só servem para nos ensinar coisas inúteis” como: ler, escrever, pensar, formar cidadãos produtivos, etc., etc., etc.... SUGESTÃO: Mudar a grade curricular das escolas, que passariam a ter as seguintes matérias: Ø Educação Física: Futebol; Ø Música: Sertaneja [Universitária], Pagode, Axé e Funk Carioca; Ø História: Grandes Personagens da Corrupção Brasileira; Biografia dos Heróis do Big Brother; Evolução do Pensamento das "Celebridades" Ø História da Arte: De Carla Perez a Faustão; Ø Matemática: Multiplicação fraudulenta do dinheiro de campanha; Ø Cálculo: Percentual de Comissões e Propinas; Ø Português e Literatura: ?... Para quê ?... Ø Biologia, Física e Química: Excluídas por excesso de complexidade. Está bom assim? ... eu quero mais!... ESSE É O NOSSO BRASIL ... Vejam o absurdo dos salários no Rio de Janeiro (o que não é diferente do resto do Brasil): Ø BOPE - R$ 2.260,00.................. Ø Bombeiro - R$ 960,00.................... Ø Professor - R$ 728,00.................... Ø Médico - R$ 1.260,00.................. E o Deputado Federal?.....R$ 26.700,00 (fora as mordomias, gratificações, viagens internacionais, etc., etc., etc., para FERRAR com a vida de todo mundo, encher o bolso de dinheiro e ainda gratificar os seus “bajuladores” apaniguados naquela manobrinha conhecida do “por fora vazenildo”!). IMPORTANTE: Faça parte dessa “corrente patriótica” um instrumento de conscientização e de sensibilização dos nossos representantes eleitos para as Câmaras Municipais, Assembleias Estaduais e Congresso Nacional e, principalmente, para despertar desse “sono egoísta” as autoridades que governam este nosso maravilhoso país, pois eles estão inertes, confortavelmente sentados em suas “fofas” poltronas, de seus luxuosos gabinetes climatizados, nem aí para esse povo brasileiro. Acorda Brasília, acorda Brasil !... P.S.: Divulgue logo esta carta para todos os seus contatos. Infelizmente é o mínimo que, no momento, podemos fazer, mas já é o bastante para o Brasil conhecer essa "pouca vergonha". As próximas eleições estão chegando! |
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Onde está a pegada? A atitude? Os peitos de fora?! “O mundo ficou mais careta depois que Cássia morreu”, lamenta Eugênia Vieira, eterna companheira da cantora carioca, com quem dividiu sua cria, o Chicão, hoje com 18 anos de idade.
Há exatos 10 anos, naquele 29 de dezembro de 2001, os pensamentos e focos estavam voltados para o Réveillon que Cássia Eller faria logo mais. Contudo uma complicação cardíaca tirou o sonho dela de ver seu filho crescer.
A famosa intérprete de “Maladragem”, um de seus maiores hits, tinha dado um tempo nas drogas e no cigarro. A água de coco era seu alento num Rio de Janeiro esvoaçante de calor. Semanas antes, ela vinha sofrendo de falta de ar, deixando transparecer um pouco o cansaço acumulado de shows e mais shows na agenda.
A bem da verdade, na época, jornais de todo o Brasil arriscaram que o motivo da morte de Cássia teria sido overdose. Só que ela havia parado com isso. O laudo pericial do IML apontou parada cardiorrespiratória. Quatro delas. A fonte de Cássia secara.
Com efeito, na infância, a cantora, que se criou no Rio, mas se aventurou por Brasília – onde começou a carreira sentada em banquinhos de bar –, Belo Horizonte, Santarém e São Paulo, teve arritmia cardíaca e febre reumática dos quatro aos 24 anos.
E é justamente a fim de mostrar estes detalhes desconhecidos da maioria dos fãs que o documentarista Paulo Henrique Fontenelle – que já tem no currículo o aclamado “Loki - Arnaldo Baptista”, sobre o fundador d’Os Mutantes – está aprontando um longa-metragem, resgatando depoimentos emocionados de gente do convívio da cantora, aliados a imagens caseiras pessoais dela. O resultado deve sair ainda em 2012.
Para celebrar esses 10 anos sem Cássia, foram lançados o CD ‘editado’ pelo amigo Nando Reis, chamado “Relicário - As Canções Que o Nando Fez Pra Cássia Cantar”, com a música inédita “Baby Love”; e a “Caixa Eller”, contendo nove CDs. Além disso, em breve, também deve vir a público um registro ao vivo em DVD de uma apresentação de 2001, apelidado de “A Luz do Solo”, onde a intérprete canta Joni Mitchell e Billie Holliday, afora suas canções arranjadas de sempre. Um livro-CD de autoria de – de novo – Nando Reis, o sempre presente Nando Reis, estará no catálogo ainda esse ano.
O álbum para se conhecer as facetas de Cássia é o "Acústico MTV", de março de 2001. E que falta isso, as facetas, faz na música brasileira! Ela foi uma das mais bem vistas artistas da década de 1990 e não desmereceu o valor lhe atribuído. Com sua voz rouca, conseguiu vender 1,1 milhão de cópias neste disco, com destaques para, claro, “Maladragem”, na elogiosa “1º de Julho”, nas levadas de “Partido Alto” e “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e na clássica “Segundo Sol”.
Um registro versátil, impulsivo e ao mesmo tempo comedido, com atitude. Maria Gadú, me desculpa, mas deixe dessa coisa de wannabe... Eller é a Cássia. E só ela o é. |
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A vida inteira fui barulhenta, ao ponto de me dizerem para calar a boca.
Isso foi o que escreveu Amy Jade Winehouse, uma menina judia de apenas 13 anos, ao entrar na Sylvia Young Theatre School, com o sonho de encantar o mundo. Todos os alunos, na verdade, tinham que fazer um curto ensaio e a pequena Amy escreveu praticamente um atestado, uma premonição.
Confesso que quando a vi pela primeira vez – foi num programa qualquer da MTV –, ela estava tinindo cantando pros quatro ventos que não iria de jeito nenhum para a reabilitação e não fui muito com a cara dela. Só que seu primeiro hit “Rehab” é impossível se tirar da cabeça. No, no, no. Não tente.
Eu diria que a diva era do que a música estava precisando. Ela é praticamente a Janis Joplin dos nossos tempos, o Kurt Cobain da música inglesa, afinal, pegaram carona com ela as cantoras Lily Allen e Adele, para citar apenas duas.
Mas o fato aqui é: há genialidade na música de Amy? Ou ela era só uma chorona, com letras melosas sobre relacionamentos? Creio que os dois. Ela foi acometida, em 2006, quando fez o play “Back to Black”, por um surto de iluminação. E como explicar se a música dela é realmente boa? Bem, o filósofo alemão Kant, se bem me recordo, falou em sua “Crítica da Razão Pura” que o que é belo é universalmente agradável, não importando o conceito.
O que quero dizer é que sempre vai haver comentários a favor da cantora, tentando fomentar o quanto seu som é bom e porque o é. Ele simplesmente o é. É elegante. Cheio de vida e tem grande capacidade de aceitação. (Até minha mãe gostou dela, apesar de ser a drogada que era.)
Com efeito, Amy tentou e conseguiu. Ela pôs um fim no preconceito de certa forma. Se fosse um integrante do Oasis no lugar dela, por exemplo, ninguém faria cara feia ou nenhum tipo de esgar de asco. Contudo, no caso dela: “Oh, lá vai a Amy, mais uma vez bêbada e drogada...” – mas o Ozzy todo mundo gosta de ver doidão, flying high again and again.
Esse é o ponto. A cantora inglesa que nasceu num bairro ao norte de Londres, chamado Southgate, não era somente uma bêbada drogada miserável que dava manchetes em revistas sensacionalistas ou em portais de conglomerados fúteis.
Hoje, dia 14 de setembro, ela sairia 28 anos, saindo assim do temido clube dos 27. Com essa idade, morreram diversos monstros do rock, com Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Jim Morrison, Janis Joplin, Robert Johnson e Brian Jones.
Se estivesse viva, ela lançaria já, já seu terceiro CD – o primeiro foi “Frank”, em 2003, referência clara ao seu mestre Sinatra. Amy também havia aceitado casar com o atual namorado, o cineasta Reg Treviss. A diva tinha decidido parar de beber, passando um tempo numa ilha, isolada também das drogas, só na base da água de coco e da rede entre coqueiros.
A família dela acredita que ela tenha morrido por ter tentando parar abruptamente de beber. A autópsia dos peritos e médicos legistas ainda não saiu – o resultado, só em outubro. E o grande culpado pelo abismo diante da cantora não foi ninguém senão seu ex, o ladrão de egos Blake Fielder-Civil, que a introduziu nas ditas “drogas pesadas”.
O pai de Amy, o taxista Mitchell Winehouse, e a mãe, a farmacêutica Janis, se separaram com a filha ainda pequena. E agora se veem diante de uma separação injusta: a pequena Amy sonhadora indo embora, da mesma forma que uma agulha tenta achar mais sulcos no vinil e não acha.
O que ficam são os cinco Grammy conquistados pela jovem cantora e mais de mil semanas no topo das paradas. Em todo o mundo, praticamente. O mais interessante é que Amy trouxe à tona todo o charme dos anos 1950 e 1960. Principalmente em seu look. Cabelos, roupas, tatuagens, olhar perdido e nervoso em direção do chão, sempre com um copo na mão. “Sempre que me sinto insegura, eu bebo. Muito. E eu sou muito insegura o tempo todo”, disse ela em sua biografia, escrita por Chas Newkey-Burden.
Pois bem. O álbum “Back to Black”, produzido por Mark Ronson, deixa o ouvinte arfante. De tão bom (imagine essa versão, que é deluxe). Se você abrir a mente, Amy pode entrar para nunca mais sair. É, a menininha que ganhou aos 13 uma guitarra Fender Stratocaster e tinha uma banda de brincadeira chamada Sweet’n’Sour conquistou o mundo. E deu a sua alma por isso no dia 23 de julho de 2011. |
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Há duas expressões, bem peculiares, comumente conhecidas pelo povo: "Chamar o Raul" e "Tocar o Raul". A primeira é de natureza agridoce e os bêbados a conhecem bem.
Já a segunda, refuta a tempos em que o rock brasileiro era poesia simples e direta, chegando aos ouvidos do advogado ao gari. Eis que, há dez anos, surgia a banda Cachorro Urubu para rememorar essas canções. Para o público que é fã do baiano mais roqueiro do País, no dia 20 desse mês de agosto vai haver o “10º Tributo a Raul Seixas”, no Clube Fênix Alagoana, na Rua da Praia, Centro de Maceió. De acordo com a banda, haverá um show não cover, mas em homenagem ao pai do rock brasileiro. O espetáculo começará às 22h e o investimento é de R$ 15. Os ingressos podem ser comprados nas lojas Eletrorádio Gomes, no Centro de Maceió, e em Arapiraca, e no Estúdio Poker, na Jatiúca. A banda é formada por Ney Guedes nos teclados - que está no grupo desde o começo, junto com o cantor -; Dinho Zampier também nos teclados; Rodrigo Peixinho nas baquetas; Victor Lira nas seis cordas; e Júnior Beatle no baixo. A Cachorro Urubu também vai contar com a maestria do trompetista Siqueira, da Conexão Latina, com o conjunto de metais. Nos backing vocals, a cantora Paulinha, da orquestra Golden Times, é quem encabeça o time dos timbres. Ah, sim, e, claro, Phillipe Carvalho no violão e nos vocais - tamanha a semelhança entre a de voz dele com a de Raul, sendo rotulado de "Phillipe Seixas". Em entrevista, o vocalista contou que já chegou a enviar gravações da banda para casa de festas, inclusive em Aracaju, e as pessoas pensarem que se tratava do próprio Raul cantando. E foi esse o motivo de mais de duas mil pessoas terem ido ao último Tributo a Raul Seixas, que aconteceu no Armazém Uzina, em Jaraguá, onde o evento, celebrava sua nona edição, e foi realizado no dia de aniversário de 21 anos da morte do ídolo, no dia 21 de agosto. Esse ano, o evento é no sábado, dia 20 de agosto. "O aniversário vai ser cantado por todos nós durante a madrugada", diz Phillipe. Ele contou que a história da banda se confunde com a do evento – a Cachorro Urubu começou justamente para o Tributo e para o público fã e sedento de boa música. Na última edição, houve a participação do blues da Barba de Gato – que também vai o show esse ano - e da vibe do Coelho DJ. Mas, segundo o frontman Phillipe Carvalho, de 39 anos, eles estão tendo cada vez menos apoio, chegando a colocar dinheiro do bolso para a realização efetiva do evento. "Dá sempre um frio na barriga, porque não sabemos se o público vai comparecer em massa. Mas ele sempre vai. O que notamos é que uma 'pivetada' - de 4 a 15 anos de idade - costuma prestigiar muito a música de Raul e isso nos deixa muito felizes", comenta ele, enfatizando a transcendência das poesia e prosa cantadas pelo baiano. Essa assertiva pôde ser vivida por eles. "Crianças ao lado do palco, cantando as músicas junto a seus pais... É muito bonito! Cada uma tem uma música que mais gosta. O meu sobrinho, por exemplo, gosta bastante de 'Eu nasci a dez mil anos atrás'. Eu e Phillipe inclusive fizemos uma brincadeira com ele", lembra o guitarrista Victor Lira, rindo. Raul está vivo Há dois anos, quando o sobrinho dele João Victor tinha apenas sete anos, o guitarrista resolveu pregar-lhe uma peça. Ligou para Phillipe - que à época tinha uma vasta cabeleira, bem como a barba - e avisou que iria passar por lá. "Eu estava indo para a casa de minha mãe e resolvi dar uma ligada para ele. Falei no carro para meu sobrinho: 'Titio toca guitarra com o Raul Seixas, sabia?'. Ele não acreditou muito, então fomos para o apartamento de Phillipe", conta. Victor Lira, hoje com 29 anos, encostou o Palio na frente de onde residia Phillipe, na Avenida Deputado José Lages, na Ponta Verde. Era um sábado à tarde, quando o pequeno João Victor viu seu suposto ídolo de longe, descendo alguns andares. "Phillipe Seixas" se apresentou para o menino e ele, estarrecido, continuou a não acreditar muito; daí, disse qual música lhe agradava. "Foi só depois que ele começou com 'Eu nasci a dez mil anos atrás / E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais' que meu sobrinho me olhou desconfiado e finalmente acreditou. Deixei-o com aquele gostinho até chegarmos à casa de minha mãe", diz Victor Lira. A mãe do guitarrista, dona Vitória, explicou enfim para o pequeno fã de Raul que aquele que ele tinha conhecido era apenas um amigo do tio, estragando, de certa forma, o deleite do menino. "Mas ele levou numa boa. Sempre que pode, vai a nossos shows e fica grudado ao palco", afirma o tio coruja. Ele ainda enfatizou que muitos começaram a conhecer o lado B de Raulzito por meio da Cachorro Urubu, não importando a idade. Referência No ano passado, Mariano Lanat, baixista de 'Raulzito e os Panteras', declarou que a Cachorro Urubu foi a melhor banda que ele viu interpretar as canções de Raul Seixas. Ele participou inclusive de um ensaio da banda nos preparativos para o 'Tributo', em agosto, e ainda aproveitou a deixa para tocar ao vivo com eles a música-referência "Maluco Beleza". Em todas as apresentações, a banda veste literalmente a aura do cantor. Calças bocas-de-sino, botas, "camisas psicodélicas" e performances. E no começo, trazem ao palco um rádio velho, sintonizando em diversas estações, passando por "Rebolations" da vida, até chegarem em "Se o rádio não toca", de Raul e Paulo Coelho. Ao final dos shows, o cantor Phillipe pega sua guitarra rosa da Hello Kitty e finaliza o espetáculo com "Sociedade Alternativa", ressaltando que "todo homem tem direito de ser o que quiser e de usar a guitarra que quiser". "Raul era um figura; um personagem. Desde os cinco anos de idade, guardava tudo num baú dele. O baú do Raul. O artista era único. E é difícil de tocá-lo! Há toda uma complexidade nos arranjos vocais e nas músicas", salienta ele. O reencontro com o Maluco Beleza promete levar gente de todas as idades para esse show - que promete. De acordo com os integrantes da Cachorro Urubu, os fãs podem pedir para 'tocar Raul' que eles não vão fazer nenhum tipo de esgar. Lá e cá Por que Raul é fundamental na formação "roqueiro-social" de todos? Cachorro Urubu - Na época dele, rock não era coisa de intelectual. A MPB e a bossa nova o eram. Mas a linguagem dele conseguiu e ainda consegue chegar a todos. Ele, inclusive, que começou essas misturas de ritmos. O Manguebeat, de Pernambuco, por exemplo, deve muito ao pioneirismo dele. Como vocês veem as parcerias com Marcelo Nova e Paulo Coelho? Cachorro Urubu - Quando ele fez "Panela do Diabo", em 1989, com Marcelo Nova, Raul estava sem fazer shows a algum tempo. Foi essencial a companhia dele, já que foi o último disco lançado em vida. Já o Paulo Coelho, bem, é indiscutível o que eles comporam juntos, mas como escritor, acho que Paulo acabou pegando carona na fama de Raul... Quantos anos vocês tinham quando o Maluco Beleza morreu? Cachorro Urubu - Eu, Phillipe, já tinha 17 anos de idade. Já o Victor, somente sete. Definam o mito Raul Seixas em uma palavra. Cachorro Urubu - Êita, agora você nos pegou... (Depois de meio minuto divagando, ele respondeu.) É difícil definir com uma só palavra. Ele era um gênio, um poeta, um contestador. O Raul era um ator. Era tão bom, ele dizia, que fingia que cantava e tocava, e nós acreditávamos. Ele era à frente de seu tempo. Viva... Cachorro Urubu - ... a sociedade alternativa (risos). Mas isso até funciona em alguns lugares do Brasil, como em Minas Gerais. As pessoas fizeram uma comunidade, onde vivem do que plantam e do que vendem. Interessante! A banda fez uma lista de músicas para que os que gostam e querem conhecer mais do Maluco Beleza. TOP 10 Raul Underground 1 - Coisas do coração 2 - Sapato 36 3 - O homem 4 - Por quem os sinos dobram 5 - Canto para a minha morte 6 - Loteria da Babilônia 7 - Carpinteiro do universo 8 - Capim guiné 9 - Conversa pra boi dormir 10 - Dentadura Postiça |
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Em meados de 2007, a produtora cultural, designer e escritora Regina Célia Barbosa chegou de surpresa, com sua equipe, no bar do Paulo, em Arapiraca, e disse: “Paulo, vamos gravar um documentário com você, ok?”.
Ele, a esmo, já estava em frente às câmeras, um pouco desconfortável no começo, falando sobre os grandes poetas da música e o que eles teciam sobre a vida - e como isso tinha mudado sua relação com o mundo lá fora. Logo, Paulo Lourenço da Silva ficou mais tranquilo diante das lentes, alcançando, nas prateleiras de seus mais de quatro mil vinis, algumas raridades com suas enormes mãos engelhadas. “Eu gosto do danado do vinil. O que não gosto no CD é que ele é muito pequeno pra eu manusear. Minhas mãos são grandes e às vezes [o CD] cai no chão, derrubo”, diz ele, a Regina. Dois anos depois, a produtora estaria concorrendo ao troféu Icuman, em mais uma edição da 9ª Goiânia Mostra Curtas. Na categoria Curta Mostra Brasil, segundo o júri popular, o “Melhor Filme” foi DJ do Agreste, o documentário que mostrava a noite no Bar do Paulo. A película foi vista por um público de cerca de oito mil pessoas, no Teatro Madre Esperança Garrido do Colégio Santo Agostinho, na capital de Goiás, e, segundo a produtora, “conta a história de como Paulo construiu e sustentou a trajetória de mais de 30 anos de resistência cultural”. Mas Paulo anda meio cabisbaixo e tenta, na música e na literatura, um refúgio para o que ele julga ser amizade, já que seus antigos frequentadores não são assim mais tão assíduos. Visita O conhecido DJ do Agreste é um exemplo de anfitrião. Eu estive em Arapiraca, na residência de esquina da Rua São Luiz com a Rua Dom Jonas Batinga, no bairro de Ouro Preto, para um bate-pronto com o precursor da boa música em terras do unânime forró elétrico. Há várias roupas estendidas num varal improvisado por entre as quase vinte mesas com inscrições de marcas de cerveja. “O bar é a extensão da minha casa”, brinca ele. Mas ele não foge à solidão. Hoje, Paulo acaba de completar 79 anos de idade, com alguns problemas na perna esquerda, a diabetes e uma isquemia no currículo. Pouco antes de o documentário ter ganhado o prêmio, dentro das imediações do bar, as coisas desandaram, com certa gravidade. No domingo 16 de agosto daquele ano de 2009, três homens armados com revólveres calibre 38 adentraram no meio da noite e deram voz de assalto. A música estava alta – como sempre - e algumas pessoas não perceberam a presença dos criminosos. Ambos estavam de moto e com capacetes com película fumê, o que impedia de serem reconhecidos por alguém. Mesmo assim, intimidaram todo mundo, a começar pela neta de Paulo, Ísis, que estava na cozinha. Roubaram R$ 450 que estava no caixa e inúmeros pertences dos frequentadores, incluindo celulares e bolsas. O bar estava cheio e Paulo só pensou no bem-estar de todos, pedindo para que colaborassem. Tudo foi muito rápido, na verdade. “Todos no chão! Pro chão, agora!!!”, gritava um deles, com a arma à mostra. A poetiza Marta Eugênia mal tinha notado a ação dos bandidos e foi a última a deitar, incólume. Em quase quarenta anos de bar, Paulo não havia visto nada igual. A aflição misturada com a humilhação de ver seus amigos-clientes desesperados, saindo correndo sem pagar a conta. O prejuízo maior não foi esse, no entanto. Duas semanas depois, ele teve uma isquemia – uma espécie de restrição de sangue no cérebro. Uns três dias antes disso, Paulo começou a ouvir um zumbido. “Aquele parecido com o de uma ambulância”, relata. Passou mal e, de fato, foi preciso chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Foi levado às pressas ao Hospital Nossa Senhora do Bom Conselho, conhecido como Hospital Regional, no Centro. Acompanhado pela filha Délia Mara, conseguiu, com a ajuda de amigos, se recuperar em uma semana. Mas a sequela ficou. Toda vez que passa uma moto pela porta de sua casa, ele fica receoso. “Eu mesmo tenho medo de abrir a porta do bar à noite agora, com essa violência lá fora. Mas tenho que fazê-lo. Por necessidade; por capricho”, comenta. Para piorar o marketing do bar, no final do ano passado, ainda surgiu o comentário de que ele havia morrido – na verdade, fora outro Paulo, dono de outro bar da imensa Arapiraca. “Mas eu ‘ganho o dia’ quando reencontro um amigo – e muito mais quando eles vêm me visitar”, conta, rindo. Ele, que ainda com 20 anos, em 1952, se mudou para São Paulo para tentar ganhar a vida por lá, acabou por tomar gosto pela música internacional e MPB e resolveu trazê-la, em 1973, para o interior da Terra dos Marechais, lugar esquecido pelos censores da ditadura. “É muito bom música. Música é muito bom. Eu gosto...”, diz ele, arqueando o sempre branco bigode e sorrindo. “É um dos meios de comunicação mais preciosos. Uma troca de gostos”, completa. Sobre formar uma geração arapiraquense com cultura de primeira, afirma que “minha participação ativa foi um bom papo, sobre rock, MPB, jazz, sobre o Cinema Novo, o que estava ‘rolando’. Noto que as pessoas antigamente eram mais participativas, alegres de verdade. Hoje, não vejo isso no meu bar”. Cult Esse foi o primeiro bar em Alagoas que teve a proposta de aliar pintura com música. O artista plástico Mozart Albuquerque inaugurou a tendência. “Em Arapiraca, os anos 1970 não foram muito diferentes das demais cidades do Brasil. O regime militar reprimia e a cultura, na contramão, buscava a liberdade e a provocação. Neste clima, surgiam os grandes nomes da MPB. Em uma bodega de esquina, um senhor vendia seus produtos, enquanto ouvia as pérolas daquela época”, quase que declama Mozart. Aos 18 anos, o futuro frequentador visitou pela primeira vez o Bar do Paulo e ficou “encantado com o ambiente, que só respirava música, cultura e liberdade”. “Seu Paulo ouvia opiniões, estimulava debates e provocava os mais jovens, colocando em seu som artistas desconhecidos daquele público. Em 1980, fiz, no próprio local, a primeira exposição realizada em um bar em Alagoas: ‘Visualização dos sentimentos’. O bar passava a agregar música às artes plásticas”, diz Mozart. Segundo ele, na base do boca-a-boca, as pessoas começaram a frequentar o ambiente, o qual começou a ficar pequeno. Nos finais de semana, era comum atingir a lotação máxima de pessoas e, consequentemente, muita gente ficava na rua. Do lado de fora mesmo, esperando uma mesa esvaziar. Na rua, certa feita, ficou Alceu Valença, em 1982, por justamente faltar mesa. O bar estava literalmente entupido, pois ALceu tinha cabado de fazer um show na cidade, da turnê do álbum "Cavalo de Pau". Então, numa mesa improvisada e sentado numa caixa de cerveja, o pernambucano bebeu lá mesmo – e por lá também passaram os artistas Lobão, Hermeto Pascoal, Quinteto Violado e o global Murilo Rosa, ao longo das décadas. “A esquina do bar virava uma grande festa e dificilmente alguém saia antes das 5h”, conta o artista plástico Mozart Albuquerque. Os frequentadores – muito diferentes dos que se chamam “clientes” – só iam embora quando o sol passava pelas frestas das janelas de vidro. Mesmo assim, tristes e querendo mais. Com efeito, o Bar do Paulo – que já foi chamado pelo historiador Zezito Guedes de “Recanto bucólico” e pelo já falecido gerente Ernande Moreira de “República dos boêmios” – parece que era o termômetro de Arapiraca. E que não pode esfriar. “Cheguei por lá, em 2006, com meu primo Thyeres e já sabia da fama do bar. Logo pedi pra tocar os vinis dos Jimi Hendrix, Deep Purple, Rolling Stones e Rainbow! Pude tomar minha cerveja tranquilo até o mais tardar da noite, sem perturbação alguma. Tava lotado. Todas as pessoas lá eram tranquilas. E o que falar da famosa costela de porco? Ora, Long Live Bar do Paulo!”, declara o estudante Gabriel Amorim, fazendo alusão à música da banda Rainbow, Long Live Rock n’ Roll. “Sou fissurado na noite. Sou um vagalume! Ficarei aqui até quando eu puder. Gostaria inclusive de fazer algumas reformas no ambiente, mas não tenho como”, lamenta o anfitrião de 79 anos, que sabe da importância de seguir em frente; de disseminar os bons frutos de uma geração autêntica. Vida longa ao... Paulo. |
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Estava eu a escutar uma música do Joe Cocker - a streapteaseana You Can Leave Your Hat On - e, extasiado, decidi falar sobre essa que é a paixão internacional: a bunda, o glúteo, o bumbum e outras palavras menos gostosas.
Há concursos (http://goo.gl/TjzY), eleições (http://goo.gl/8Kbgk) e cirurgias para que se fique com o bumbum ideal - o das brasileiras, claro. A exemplo disso, temos o site de compras russo Vigoda, que anuncia uma promoção incomum: um tratamento estético que promete um "bumbum brasileiro" em somente cinco sessões. O anúncio diz, em tradução livre: "Bumbum brasileiro - 5 sessões! Você vai ficar com o bumbum brasileiro sem dieta, exercícios, injeções ou cirurgia plástica!". Coisa que toda mulher quer. Ter um um bumbum liso. E isso tudo com desconto de 71%. O tratamento, originalmente de 4 mil rublos, sai por 1.150 rublos (cerca de R$ 65). É bem verdade que estamos rodeados de objetos fálicos, como prédios, desodorantes e maranhões de plásticos na gaveta da amiga lésbica. Mas nada - nem o amor - causa tanta inspiração num poeta bêbado quanto uma bela nádega. Até porque os nossos pais gregos já adoravam as sinuosas silhuetas da deusa Afrodite Kallypigos, em seu templo sempre lotado. Mas, além da devoção servil, admiração dos poetas homens e quimera entre lençóis brancos suados, ela ainda é um tabu. No entanto, que já está sendo quebrado (em duas bandas). Nos Estados Unidos, país ultimamente adorador nato de seios enormes, a bunda ressurge nessa década toda empinada. Essa volta talvez se deva a atrizes e hip hoppers como Jennifer Lopez, a J-Lo, e a Rihanna, a cada ano com um cabelo diferente, mas a retaguarda sempre no lugar. Foi lançado no Brasil, há pouco, o livro "The Big Butt Book" (O livro da bundona) que mostra mais de 400 fotos do século XX até os dias atuais, incluindo obras de Batters Elmer, Ellen von Unwerth, Jean-Paul Goude, Ralph Gibson, Richard Kern, Jan Saudek, Ed Fox, Terry Richardson e Sante D'Orazio. Destaque mesmo para Bettie Page (1923-2008), a deusa pin-up e ícone sexual da década de 1950, que, segundo o livro, está entre as mais belas bundas já fotografadas [foto]. As imagens são contextualizadas por meio de entrevistas com o ícone pornô John Stagliano, o cineasta Tinto Brass, o artista Robert Crumb, e, do Brasil, a "Mulher Melancia" - a Andressa Soares, que na eleição de lá de cima ficou em 2º lugar no top 10 das bundas mais famosas do nosso país. Pra que fique claro: essa é uma unanimidade - meu São Nelson Rodrigues que me perdoe - que não é nem de perto burra. Eu sei, eu sei. Um pouco machista eu posso até estar sendo, só não me mandem tomar no tema da crônica. |
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Na cidade fictícia de Brogodó,
Onde a peleja do sol não pelega, Tem é gente querendo dá um nó Nessa trama danada da pega Jesuíno e Açucena vão casar Herculano, ser o lampião do bem E se eu num for ninguém O chão dessa terra vai rachar
Com essa quadra - não mais usada na literatura de cordel - de minha autoria, cujo título é "Encantado cordel", começo traçando um ponto interessante da cultura nordestina: o povo da região dá cada vez menos valor às coisas da terra.
Em Alagoas, pelo menos, é assim. Pode-se ver em Pernambuco uma identidade quase que inerente pelo frevo e agora pelo movimento alternativo, mas bem popular por lá, o Manguebeat. No nosso estado, alguém ouve ou dança os cocos de roda? Sabe quais as cores do pastoril? Canta algo mais além de "Guerreiro, cheguei agora; Nossa Senhora é nossa defesa"?
Os questionamentos ficam no ar, afinal, eu já tenho a minha resposta - e me incluo nela. Afora, não é culpa nossa. Não temos culpa de não conhecer o que nossos avós criaram com tanto zelo. O incentivo à cultura em Alagoas é uma vergonha e muita gente não está nem aí nem aqui pra isso, principalmente os gestores.
Mas o que realmente me entorpeceu e deixou bastante feliz foi notar que a cultura do povão foi parar nas telas Globais. A 'novela das seis' Cordel Encantado, embora não tenha tido um começo muito bom em termos de audiência - 26 pontos em sua estreia -, retrata bem um sertão sofrido, misturado com uma monarquia à procura de uma princesa.
Tema fantasioso, quimérico, ideal para uns bons versos. (Os meus acima não contam com a experiência dos cordelistas.) Pra fazer a rima na novela, as autoras Duca Rachid e Thelma Guedes criaram um ambiente de sotaques e trejeitos típicos. As câmeras de 24 quadros por segundo dão a sensação de imagem de cinema na TV - e mais calor na sala - e da literatura de cordel estar mais presente.
Mais de onde veio essa literatura? De acordo com Zé Maria de Fortaleza e Arievaldo Viana:
Os assuntos são os mais diversos, indo do cômico ao discurso político. Falando das pelejas do cabra macho ao brigar de frente com o Cão-miúdo ou das pelejas vividas por quem não tem como comer, trabalhar ou estudar por falta de oportunidade e de consciência dos gestores.
Os grandes expoentes desse estilo eram João Martins Athayde, Leandro Gomes de Barros, Cuíca de Santo Amaro e o resto do povo. E eu sou mais um no meio desse povo: |
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Com o desvelo de quem quer tocar na ferida, mas no intuito de ajudar de alguma forma, o leitor Sérgio Arilo encontrou vários erros imperdoáveis na minha crônica anterior - devidamente consertados (com "s", ok, Sérgio?!) - sobre o Massacre de Realengo.
Ademais, quero aproveitar para reproduzir o comentário:
Sérgio Arilo disse:
Bom, quem quer criticar deve se mostrar em um nível superior. Esse post está cheio de erros, que vão da apuração aos de Português. Para começar, o jornal A Tribuna não é da Bahia, é de São Paulo, de Santos, para ser mais exato. Um dia após "à" matança, não. Após a matança. Risível é com "S" e não com "Z". Vem de riso. No mais, concordo que a manchete do jornal de Recife foi exemplar. E a da Tribuna, um lixo.
Bom, não me senti ofendido, de forma alguma - quero adiantar. Até porque não estou em nível superior a ninguém (o que costuma achar a maioria dos jornalistas). Como estou, digamos, em construção literária e no berço da juventude, posso me dar ao luxo de errar, de vez em quando. A Folha de S. Paulo erra, a Veja, a Superinteressante, a Rolling Stone, a Bravo, a Life, o jornaleco do final de semana da nossa cidade. Creio que admitindo o erro me torno mais forte, mais coeso, mais mais. E sempre vou cometer gafes - só espero que não sejam lidas. E, sim, caro Sérgio, é minha obrigação ter cuidado com que divago e relato com os leitores, já que de alguma forma me tornei um 'homem público', lido por você, por pessoas comuns, que merecem o meu respeito léxico, por assim dizer. Como disse Regina Shultz, "quem nunca um erro cometeu, também nunca nada descobriu". E descobri algo: a experiência - um nome talvez dado ao conjunto de nossas falhas. Um abraço, Breno PS - De qualquer forma, esse texto também está cheio de erros. Essa bendita palavra está no título e em cada parágrafo. Que assim seja. |
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É engraçado - na verdade, não tem nada de engraçado nesse caso - quando um assunto polêmico aperece e repercute em todo o país. Os colunistas e editores-gerais logo já se esperneam pra chegar num computador (ou ainda a um papel e uma caneta) e escrever sobre o tema. Afinal, é audiência certa...
Sobre o chamado pela impressa nacional de "Massacre de Realengo", pretendo somente falar mais tarde; com a cabeça mais fria. A coisa tá tão quente ainda que pode tomar um caminho que não quero. Mesmo porque não vou analisar o fato parcialmente. ("Quem é você pra analisar alguma coisa? É algum perito criminal, por acaso?!") Na verdade, leitor, o atirador Wellington Menezes de Oliveira, de apenas 23 anos, era uma pessoa comum. Como nós. Que passava por dificuldades, perdeu entes queridos e era vítima de bullying na escola. Como nós, todos os dias. O detalhe é como a mídia, de modo geral, pode fazer para vender mais em cima dessa tragédia. Para isso, existe o bom e o mau jornalismo. O "Diário de Pernambuco" deu clara referência ao sofrimento dos brasileiros em sua manchete dessa sexta-feira, 08 de abril de 2011, um dia após a matança na escola municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro. Ótima chamada do jornal impresso, reproduzindo, inclusive, a carta deixada pelo atirador suicida: "12 mortes e 190 milhões de feridos". Sim, nós todos nos ferimos. Já "A Tribuna", de São Paulo, fez praticamente humor negro com o fato de alguns alunos terem morrido: "Na lista de chamada, 12 alunos não dirão 'presente'". Essa é uma pérola digna de estudantes que fazem o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Chega a ser risível. O atirador executou essas crianças e deixou mais 13 gravemente feridas; deu mais de 60 disparos com seus revólveres .38 e .32 - e ainda os recarregou nove vezes, com o auxílio de vários speedloaders. Isso é pra rir, seu editor?! |
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Sem brincadeira, mas quem aqui leva a sério o que o apresentador (e um dia bom repórter) Pedro Bial fala sobre a "nave" Big Brother Brasil, o tal BBB da Rede Globo? Os ditos "heróis" são mais humanos que nós, pois estão sendo flagrados a todo momento, monitorados sem que se perca um lance. E mais uma edição acabou nessa terça-feira, dia 29 de março de 2011. Quem ganha com isso é o povo?!
Creio que não. O povão gosta de assistir à vida alheia, invadir a casa dos outros sem que a lei o puna, violar a intimidade ao extremo. Brigas, sexo, besteira, confinamento, dinheiro. Acho que o programa se resume a esses cinco itens - e acredito que só o 'confinamento' seja a parte a mais intrigante. Se estudassem a capacidade psicológica de alguém que está dentro de uma casa com pessoas desconhecidas, seria um programa válido. Mas não o é.
É bem verdade que todos os participantes fazem uma bateria de exames pra ver se estão 'regulados da cabeça'. Porém, qualquer dia desses não vou me surpreender se um deles matar outra pessoa lá naquela casa luxuosa, onde o tédio reina. Essa é uma reação claustrófibica, chamada de "síndorme da cabana", o qual o confinado simplesmente surta por estar isolado do mundo e mata quem estiver ao seu redor. Parece besteira... Mas não o é.
O que importa é que haverá BBB até o ano de 2020. (Haja paciência!) Mas eu não sou hipócrita. Já assisti, sim, a esses programas, mas nunca fui, digamos, viciado. No entanto, eu tinha a esperança de que entrassem pessoas interessantes no jogo. Afinal, é um jogo, não é? Fico rindo quando participantes falam: "Fulano é jogador! Cicrano só quer saber do dinheiro". (Olha quem fala...)
Quem se submete a uma experiência de confinamento e stress dessas certamente ESTÁ pensando na bolada final. Não é à toa que muitas pessoas no começo do programa tentam se mostrar amáveis e sociáveis. A atuação da "atriz" Maria Melillo foi tão empolgante que ela levou os R$ 1,5 milhão - prêmio máximo do programa. É a atual campeã... uh!
Se teve falcatrua ou não por parte do produtor Boninho, pra mim não importa muito. O fato é que o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) constatou que a audiência do programa vem caindo ao longo dos anos. A final do BBB 11 foi transmitida para o país inteiro e conseguiu míseros 30 pontos - no ano passado, registrou-se 40 pontos de audiência, por exemplo; no BBB 6, 51, e na primeira edição, o recorde de 59. O Brasil, àquela época, respirava, vivia o Big Brother. E agora está morrendo junto com ele.
Em contraponto à queda vertigionasa de não dois ou três pontos, mas dez, a Globo já vai abrir inscrições para o BBB 12 no começo desse mês de abril. (Não, não é mentira.) Contudo, a emissora continua a ganhar - e bem - em cima dos espectadores babões.
Segundo algumas fontes, se 29 milhões de pessoas ligassem a cada paredão - com o custo a R$ 0,31 de cada ligação, mais impostos -, a Rede Globo e a Telefônica arrecadariam a bagatela de R$ 8,7 milhões. A cada paredão!
É, e é bom que se reflita um pouco sobre o que estamos consumindo. Não vou dar lição de moral em ninguém. Não tenho esse poder, nem pretendo ter. Só que é complicado você ver sua geração ruindo e não ficar incomodado. Tenho 21 anos e já me vejo no fundo do ralo, abraçado com a juventude. George Orwell estava certo. |
Sou um projeto de jornalista e cronista/contista.